VIOLÊNCIA AUTO INFLIGIDA EM 3 ATOS

Prelúdio em dó maior 

Houve um dia, em que a poesia, de tão narcisista e vazia

decidiu que naquele dia agrediria a quem vesse primeiro, a esmo…

no entanto, de tão impossibilitada que estava de notar qualquer algo que estivesse para além de si própria só pode ver alguém quando parou na frente de um espelho.

O resultado deste (es)tranho (re)conhecimento revela um diagnóstico mórbido de uma típica violência auto infligida. Agrediu a si mesma com requintes de crueldade utilizando-se do que a fazia mais forte: palavras jogadas ao vento.

 

1º ato

Esta noite eu queria trazer uma poesia

mas não consegui…

tipo, sem inspiração/

Eu queria declamar uma poesia

Mas palavras engasgavam feito espinho na garganta

A sutilidade poética

parecia patética, frente à crua realidade…

verdade!

 

Eu queria fazer uma poesia,

Mas… Seria até ironia, em meio a tanta covardia

acreditar em palavras

tombando o exército da ignorância

 

Eu queria muito fazer uma poesia

Mas senhoras e senhores, eu já ouço rumores de que a vida precisa muito mais!

Palavras não seriam suficientes para tornar consciente a dolorosa corrente indolor da mental escravidão

Neste mundo onde o amor é um escândalo;

Os verdadeiros Vândalos… sugam-nos-sagram, o fruto do trabalho:

A mente, o carinho e o caralho,

Tudo vendável – na banquinha da decepção ///

 

2º ato

Passei a noite pensando, precisamos mesmo é de poesia?

Já declamaram o novo dia, cantaram a revolução… o brasil já foi 5 X campeão

Mas as mãos ainda carregam livres-correntes

e como uma arara a venda numa gaiolinha pequena cantam eu nem sei por quê

 

Eu preferia memo era fazer uma poesia,

mas no fundo eu sabia, que mesmo a revelia,

a inocência só se liberta com a morte

Da opressão /// então…

Embrulhei as poesias num pedra e taquei com força nos vermes (gambé)

Parei de me ajoelhar ao deus – Mercado

E descobri que Pecado – é passar fome p trocar todo mês de celular

É ficar na covardia de fazer poesia – e quando acabar o sarau não mover uma palha p vida melhorar

 

3º ato

Definitivamente! Eu cansei de poesias

Trago o grito entalado na goela

A rebeldia da cinderela, a greve do catador de latinha/

Proponho O amor de corpos pretos, dedos toques uivos, crespos

A pantera preta que desperta e devora os “cochinhas” (gambé)

Infelizmente a poesia não mais me satisfaz…

Desculpe a sinceridade anti-poética mais

“amar e mudar as coisas me interessa mais” (tris)

 

Por Deivison Nkosi – 2013

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