Mesquita Jesuíta

Ow, Meu Bom!

firmeza?
Lamento dizê, mano, mas…
não trago boas novas!

A verdade precisa ser dita,
por mais constrangedora que for,
por mais que a sua revelação seja politicamente inconveniente,
um tiro no pé já estraçalhado por tanta bomba!

Faz-se necessário reconhecer:
NÃO EXISTE POSSIBILIDADE DE RETORNO!!!
Não adianta!
desculpa!

Mas é isso mesmo que vc leu!

A história é objetivamente irreversível
e o “retorno” à origem, bem ou mal intencionado
é apenas um novo começo
uma nova invenção de futuro
(preso ao passado, mas não o passado
truncado no tempo, porque também se fecha ao futuro
mas nem presente chega a ser…)

Mano, cê me desculpa, memo,
por ser tão deselegante?
Mas convém informar que a nossa verdadeira identidade verdadeira
indiscutivelmente primordial e radicalmente original
não é mais que uma mesquita em formato de igreja jesuíta,
uma dança sagrada ancestral que se repete rigorosamente desde o princípio de tudo, há duas ou três décadas
um diálogo por telefone entre duas pessoas que não falam a mesma língua.

Mano, cê vai ficar bolado comigo?
Por favor, não mate o mensageiro!
a mensagem acabaria chegando por outros meios
menos solidários…

vc não imagina como dói ter que informar uma coisa dessas
eu to ligado:
era tanta raiz descoberta na terra fofa da desilusão
tanto vento forte que balançava os galhos ressecados da alma
que o medo de cair nos fez agarrar em uma dessas raízes e a chamar de nossa
“uma raiz pra chamar de minha” (Oh! Que poder!)
alguma coisa que ninguém poderia arrancar…

nois num têm culpa de buscar uma raiz, parça,
só que esqueceu que (nois) é dono da floresta toda
e não precisa se prender…

Mas, mano… na humilde!
sem maldade, memo, morô?!
Não há possibilidade de retorno
mas se ainda assim for retornar, não tenha medo de inventar o novo
de se agarrar a raiz
sem esquecer que és parte da floresta toda,
da porra toda, firmeza?
nois, tru!

 

Por Deivison Nkosi – 05 de novembro de 2017

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